Cuidado ao viajar: o risco silencioso da trombose em trajetos longos
Com a chegada das férias e feriados prolongados, milhões de brasileiros se preparam para viagens de avião, carro ou ônibus. O que muitos não sabem é que permanecer sentado por longos períodos pode aumentar o risco de trombose venosa — uma condição séria e potencialmente fatal.
Dados de um levantamento inédito da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular revelam que mais de 489 mil brasileiros foram internados para tratamento de tromboses venosas entre janeiro de 2012 e agosto de 2023. Apenas nos oito primeiros meses deste ano, cerca de 165 pessoas foram hospitalizadas todos os dias na rede pública por causa do problema.
Segundo a cirurgiã vascular Dra. Letícia Costa, a chamada “trombose associada à viagem” é mais comum em trajetos com duração superior a três horas. “Quando a pessoa permanece muito tempo sentada, há redução da movimentação das pernas, o que compromete a circulação sanguínea e favorece a formação de trombos”, explica.
O que é a trombose e por que ela preocupa?
A trombose venosa ocorre quando um coágulo se forma dentro de uma veia, geralmente nas pernas, bloqueando parcial ou totalmente o fluxo sanguíneo. O grande risco está na possibilidade de um fragmento desse trombo se desprender e migrar para os pulmões, causando uma embolia pulmonar — complicação grave que pode levar à morte.
Homens e mulheres podem ser acometidos. No entanto, o risco aumenta quando o tempo prolongado sentado se associa a outros fatores, como obesidade, sedentarismo e uso de hormônios.
Quem deve redobrar a atenção?
Embora qualquer pessoa possa desenvolver trombose em viagens longas, pacientes com histórico pessoal ou familiar da doença precisam de avaliação médica antes de trajetos prolongados. A consulta com o especialista permite identificar fatores de risco e definir medidas preventivas individualizadas.
Em alguns casos, o médico pode indicar o uso de meias de compressão durante a viagem. Elas ajudam a melhorar o retorno venoso ao exercer maior compressão na região do tornozelo, favorecendo a circulação sanguínea.
Medidas simples que reduzem o risco
A boa notícia é que atitudes simples podem diminuir significativamente as chances de desenvolver trombose durante uma viagem:
• Levantar-se e caminhar a cada duas ou três horas, quando possível;
• Fazer pequenas pausas em viagens terrestres;
• Movimentar os pés e tornozelos enquanto estiver sentado;
• Manter-se bem hidratado;
• Evitar consumo excessivo de álcool.
Movimentos como elevar e abaixar os pés ou realizar rotações com os tornozelos ativam a musculatura da panturrilha, considerada uma importante “bomba” para o retorno do sangue ao coração.
Sinais de alerta após a viagem
A trombose costuma se manifestar com dor súbita em uma das pernas, inchaço, endurecimento da panturrilha, vermelhidão e aumento da temperatura local. Veias mais aparentes também podem ser observadas.
Diante desses sintomas, é fundamental procurar atendimento médico imediato. O tratamento envolve o uso de anticoagulantes, que ajudam a estabilizar o trombo e reduzir o risco de embolia pulmonar.
Planejamento também é prevenção
Viajar é sinônimo de descanso e lazer, mas a saúde não pode ficar em segundo plano. Avaliar fatores de risco, adotar medidas preventivas e reconhecer sinais precoces são atitudes que fazem toda a diferença.
Em trajetos longos, pequenas mudanças de hábito podem evitar uma complicação grave. Informação e prevenção continuam sendo as melhores companheiras de viagem.

Dra. Letícia Costa é médica cirurgiã vascular Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), atua com foco em Flebologia Estética, tratando varizes, vasinhos e doenças venosas. Com mais de 200 cirurgias de varizes e mais de 150 procedimentos estéticos realizados, alia precisão técnica e olhar estético para transformar saúde e autoestima.
Fonte: Dra. Leticia Costa – Médica Cirurgiã Vascular | @dra.leticiacosta
